Todo atleta tem um momento único em sua carreira, aquele que marca para sempre e que ele sente muito orgulho em contar. Com Ana Marcela Cunha não é diferente. Uma das maiores nadadoras de águas abertas do mundo, abriu o coração e falou como foi sua vitória no Mundial de Xangai.
“Foi muito marcante, foi sem dúvida, o momento mais importante da minha carreira até o momento”, diz. Ana foi ao Mundial apenas com o objetivo de obter a classificação para representar o Brasil na Olimpíada de Londres em 2012. “A ideia era começar com a prova de 10 km, passar para a de 5 km e, por fim, fazer minha estreia na cansativa prova de 25 km. Estava me sentindo muito bem nos 10 km, e faltando pouco menos de 1 km já estava em sexto lugar, o que me daria a classificação para a Olimpíada tranquilamente, mas acabei sendo ultrapassada por cinco nadadores e cruzei a linha de chegada em 11°.; só se classificam os dez primeiros…”
Foi o famoso “bateu na trave” para Ana Marcela, que mesmo triste não se deixou abater e encarou a prova de 5 km, chegando em sexto lugar. Mas o grande desafio veio mesmo no dia seguinte, na prova monstra de 25 km. “Estava cheia de vontade, mas me mantive cautelosa, estavam ali atletas que já haviam se classificado na prova dos 10 km e tinham descansado durante os 5 km.” Mesmo consciente do nível de dificuldade e sem saber exatamente como o corpo reagiria depois de ter nadado 15 km nos dias anteriores, Ana mergulhou de cabeça em seu objetivo.
Pouco mais de seis horas depois dentro da água e faltando apenas 600 metros, Ana ficou lado a lado com a campeã mundial Angela Maurer, da Alemanha. “Tudo passou como um filme dentro da minha cabeça, era a chance de ser campeã e ter um título inédito para as nadadoras do continente americano.” Ana forçou um pouco mais o corpo e abriu cinco metros de vantagem, mantendo a diferença até tocar o pórtico de chegada.
Com o corpo dolorido e cansado, Ana sabia que aquele era um momento que a colocaria entre os gigantes do esporte. Um exemplo de perseverança e dedicação. “Valeu a pena! Percebi que algo ainda maior estava por vir.”
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