Alongamento: exercitar a flexibilidade deve ser prática regular de todo atleta

Alongar é uma necessidade para os atletas. Mas é melhor antes, depois do exercício físico ou nesses dois momentos? O treinamento da flexibilidade para corredores ainda é um tema que envolve alguns mitos, e suas questões não são 100% conclusivas. Principalmente quando se debate desempenho e prevenção de lesão. Porém, quanto ao quesito corrida como ferramenta para ser saudável, especialistas do EU ATLETA apontam para um caminho: todo programa de exercícios, independentemente de seus objetivos ou modalidade, deve incluir o alongamento.

OPINIÃO DOS ESPECIALISTAS

 O fisiologista Turibio Barros afirma que o alongamento é necessário e pode prevenir lesões, caso promova a melhora da flexibilidade. Entretanto, se o atleta alongar imediatamente antes de fazer a atividade, deve controlar a duração. A referência é o alongamento de cada grupo muscular.

“Um alongamento estático com duração inferior a 45 segundos pode ser usado em rotinas de aquecimento sem risco de reduções significantes de força, potência e velocidade”, afirma.

Outra recomendação de Turibio é evitar o alongamento depois da realização de um exercício intenso, quando os grupos musculares estão acometidos de microtraumas.

Alongar nesse momento não traz benefício, provocando maior dano aos músculos”, explica. Faça parte do EU ATLETA: registre atividades e incentive os amigos.

O preparador físico Manuel Lago, por sua vez, afirma que o atleta pode fazer alongamento antes e depois da corrida, mas com ressalvas. Para o pré-exercício, ele indica que o ideal é se alongar em movimento, de forma dinâmica, preparando o corpo para a atividade.

“Recomendo exercícios de alongamento em movimento e explorando a amplitude articular do segmento ao máximo em deslocamento frontal. Existe também o famoso trote de aquecimento (aproximadamente 60% da frequência máxima) e piques de 50 metros como forma de finalizar o aquecimento”, ressaltou.

Um estudo da Universidade de Zagreb, na Croácia, determinou que alongar antes do exercício relaxa músculos e tendões, o que diminui a potência durante a atividade física. Mas será que isso está certo?

“Esse tema de fato é bastante controvertido. O próprio Colégio Americano de Ciências do Esporte (ACSM) chegou a publicar uma recomendação na oitava edição de seu Guidelines, editado em 2010, recomendando a supressão de exercícios de alongamento estático antes da realização de exercícios em que força e potência fossem requisitos necessários. A preocupação seria exatamente evitar a redução da potência muscular como consequência do alongamento realizado antes da atividade”, afirma Turibio.

A fisioterapeuta Raquel Castanharo, no entanto, considera que o aquecimento prévio é mais importante do que o próprio alongamento.

“Por muito tempo, o alongamento foi visto como a solução para todos os problemas dos atletas e algo essencial antes do início de qualquer atividade física. Atualmente, a ciência vem mostrando que isso não é totalmente verdade”, destaca.

PREVENÇÃO DE LESÕES
Também existe controvérsia quanto à eficácia do alongamento para prevenir as lesões. Segundo Turibio, alguns trabalhos científicos não constataram redução na incidência de lesões como resultado da prática de alongar. Por outro lado, também existem estudos que podem comprovar o benefício do alongamento para a redução delas. Esse ponto foi até mesmo abordado em artigo no EU ATLETA.

“O benefício do alongamento decorre de seu efeito a médio e longo prazo, e não de um efeito imediato por alongar logo antes da prática do exercício”, diz Turibio.

Manuel Lago afirma que o recomendado é esperar o corpo esfriar para depois fazer o alongamento. Essa medida, segundo ele, é fundamental para evitar lesões e ajudará o corpo a voltar ao estado normal devagar. Treinos, nutrição, equipamentos – dê seus primeiros passos no EU ATLETA.

“Após a corrida, procure fazer uma massagem primeiro e então vá para o alongamento. Por que isso? Assim que fazemos um esforço grande, nossos mecanismos sensoriais estão bastante fatigados e, com isso, ao realizarmos algum movimento de alongamento, podemos ‘passar do ponto’ e provocar, por exemplo, um estiramento”, ensina.

DURAÇÃO DO EXERCÍCIO

Turibio explica que o alongamento de determinado grupo muscular deve ter a duração mínima de 15 segundos e máxima de 45 segundos. Menos do que 15 segundos não trará efeito e mais do que 45 segundos pode prejudicar o desempenho muscular nas atividades realizadas.

“Alongamento estático com duração superior a 60 segundos, por exemplo, pode prejudicar a performance muscular. Portanto, o problema parece ser a duração do alongamento, que não deve exceder esse limite crítico”, diz o fisiologista.

Para Raquel, se a articulação já possui uma flexibilidade normal e que atende à necessidade do movimento do exercício, a prática do alongamento não vai gerar tantos benefícios.

“O mais importante é a estabilidade articular, o que muitas vezes é prejudicado pela prática excessiva de alongamentos. A indicação atual é que o atleta realize uma sessão isolada para a flexibilidade, fora do período de treinamento da atividade física específica, como ocorre com a musculação, por exemplo”, explica a fisioterapeuta.

Inserir uma ou duas sessões de alongamento na semana é o mais indicado por Manuel Lago. Segundo o preparador físico, o alongamento deve ser realizado em um momento separado por oferecer benefícios a longo prazo.

“Dessa forma, o atleta vai ter maior mobilidade, melhorando sua eficiência mecânica durante a corrida. Ou seja, poderá executar passadas com menor desgaste físico e, por consequência, correr ainda mais rápido”, conclui.

Fonte: Eu Atleta

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