Correr ou caminhar na areia é um bom exercício para quem tem pé chato ou plano (Foto: Getty Images)
As pessoas portadoras de pés planos, conhecidos como pés chatos, têm a tendência de pisar para dentro, com a borda interna dos pés, que nesse caso são chamados de pronados. Isso causa desequilíbrio na pisada e na marcha, provocando várias lesões, como entorses de tornozelo, que ocorrem com mais frequência.
É necessário um trabalho de fortalecimento dos músculos envolvidos na articulação do tornozelo e de toda a perna. Por isso é fundamental um trabalho de equilíbrio e propriocepção para ativar as reações de equilíbrio a fim de diminuir ou zerar os entorses.
Ao detectar pés planos no bebê, os pais devem ficar alertas, conversar com o médico para trabalhar os pés da criança desde cedo, para prepará-la para a marcha. O tratamento inclui caminhar em diferentes solos com diferentes texturas e irregularidades, treinamento com bolas e apanhar objetos com os pés.
Na natação, a criança trabalha os pés e o equilíbrio de todo o corpo, em atividade de psicomotricidade. O uso de botas ortopédicas e palmilhas é muito discutido, cada caso é um caso, mas os exercícios citados são imprescindíveis.
O caminhar e o brincar, além de correr na areia fofa, são alguns dos melhores exercícios. O andar descalço em diferentes tapetes, subir e descer obstáculos consiste em um trabalho psicomotor, muito indicado para fortalecer e dar mobilidade aos pés.
A criança vai crescendo com trabalho direcionado, visando aumentar o arco plantar, ou seja, a curvatura da sola dos pés. Quando recebemos o paciente adulto, orientamos a realização de que devem ser feitos pelo resto da vida para fortalecimento e alongamento muscular e flexibilidade articular, mas não é possível haver ganho de arco plantar.
Os pacientes relatam casos de recidivas de entorse, às vezes com consequências pequenas, como edema e dor, e muitas vezes com esgarçamento ou ruptura de tendões ou fratura óssea, o que acarreta transtornos na vida pessoal e laboral das pessoas.
As mulheres que adoram saltos muito altos devem ter cuidado redobrado ao caminhar nas calçadas irregulares, ao subir e descer escadas, dançar e ao realizar os movimentos da vida diária. O melhor seria diminuir a altura do salto, mas para muitas isso é impossível por causa da vaidade. Pode haver exigência de salto alto para trabalhar, mas sempre de uma altura considerada normal, a não ser para as modelos durante os desfiles.
Há várias ocorrências de entorses ao descer escadas ou caminhar nas ruas. Para os homens é mais fácil porque andam de sapatos baixos ou tênis e precisam ter cuidado e atenção por onde pisam. O conselho é andar descalço em casa, caminhar na ponta dos pés, nos calcanhares, e ao acordar fazer exercícios com os pés, flexionando-os para baixo e para cima, exercícios circulares de fora para dentro e de dentro para fora, diariamente.
Recebemos uma paciente com histórico de entorses de repetição e a última ocorrência foi ao descer escadas com salto muito alto. Sorte que desmaiou de dor no último degrau, senão o estrago seria muito maior. Após um mês indicou-se fisioterapia aquática, e a paciente apresenta o pé edemaciado, ou seja, muito inchado, sente muita dor e utiliza uma muleta para deambular.
Assim que acontece um entorse, o melhor é colocar gelo na hora por 20 minutos e repetir mais algumas vezes, nas 24 horas subsequentes. Se a dor persistir e o pé ficar cada vez mais inchado e vermelho, deve-se ir a uma emergência médica para ser examinado e tirar raio-x para avaliação médica.
A recomendação é colocar gelo e fazer contraste quente e frio até o edema e a dor cederem, o que pode demorar de um a três meses, dependendo da gravidade do entorse. A fisioterapia aquática é o tratamento mais indicado devido às propriedades físicas da água, como a pressão hidrostática, que age como uma meia elástica, exercendo muita pressão no fundo e diminuindo na superfície, o que é uma drenagem linfática natural.
O empuxo diminui a tensão nas articulações e, em conjunto com a pressão hidrostática, ajuda a reduzir o edema e a dor, aumentando assim a mobilidade do tornozelo. O fisioterapeuta auxilia manualmente com técnicas específicas para a diminuição do quadro álgico e do edema e para o ganho de arco.
O treino de marcha começa a partir dessa fase, com a atuação da força da gravidade progressivamente. Vamos observar por onde andamos, assim como descer e subir escadas olhando para a frente sem virar o corpo para evitar entorses e problemas mais sérios.
Fonte: Eu Atleta
