Há algum tempo, pesquisadores cardiologistas e médicos do esporte notaram que vários atletas de muito alto rendimento e ex-atletas ativos que praticaram exercícios, incluindo treinamentos e competições aeróbicas, e atingiram mais de 14.000 horas (por exemplo, um atleta que praticou 6 horas por dia em 6 dias por semana chegou a 1.700 horas por ano de esportes) tinham maior chance de desencadear a fibrilação atrial aguda.
A mais recente publicação de impacto científico sobre esse tema foi feita em dezembro de 2013, na revista European Heart Journal, que no editorial dos médicos Gerche e Schmied afirmou a preocupação com os exageros radicais dos exercícios.
A recomendação preventiva começa no abandono de hábitos alimentares não saudáveis e do uso de anabolizantes, dos energéticos não legalizados no Brasil, que são ingeridos em quantidades abusivas altamente danosas e até letais, correção dos fatores de risco cardiovascular, mesmo se pouco alterados (colesterol, pressão arterial, tabagismo, alcoolismo), tratamento adequado das viroses, com repouso obrigatório, e finalmente conhecer quais as intensidades e o volume dos treinamentos com a ajuda de um profissional de educação física.
Existem dois tipos de arritmia, chamados de fibrilação: a ventricular, quando o impulso elétrico que faz o coração se contrair não chega de modo contínuo e organizado, e sim como luzes de leds que se acendem e apagam, sem sequência lógica.
Nesse caso, o miocárdio fica literalmente “tremendo”, o que significa na prática uma parada cardíaca. A outra fi¬brilação é a atrial (dos átrios), originada na cavidade da parte superior do coração. O átrio esquerdo e o direito se contraem para enviar o sangue aos ventrículos, numa sincronia que é o batimento cardíaco regular.
Em repouso, os batimentos podem variar ao redor de 40 a 60 por minutos e, durante uma atividade física intensa, podem atingir 200 por minuto. Na fibrilação atrial, a quantidade de sangue efetiva que sai para os ventrículos é 30% menor do que o habitual, o que é um prejuízo para a atividade física e sua performance. Como os ventrículos estão bombeando normalmente, podemos viver, porém sem exageros físicos. Se essa arritmia persistir por mais de 48 horas, existe o risco de ocorrer
um AVC (acidente vascular cerebral ou encefálico).
O tratamento da fibrilação atrial é feito com medicamentos ou por meio de choque elétrico da cardioversão (que reverte para o ritmo regular) ou mais modernamente por ablação (cauterização dos focos), ou até mesmo por cirurgia cardíaca.
Fonte: Eu Atleta
