Quenianos: os mestres da corrida.

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É incontestável: quando falamos de corridas e maratonas, os quenianos estão muito a nossa frente de qualquer outro povo. Você deve estar aí, se perguntando o que os torna corredores tão capazes. Bom, não há um consenso.

Alguns especialistas defendem a herança genética. Como muitos quenianos nascem e crescem em lugares de altitude muito elevada seus corpos rapidamente se adaptam ao ar rarefeito, adquirindo capacidades pulmonares que vão muito além do corredor comum. Pulmões mais fortes e eficientes aumentam o número de hemácias no sangue, as células vermelhas responsáveis por transportar o oxigênio pelo organismo. Por sua vez, esse transporte eficaz aumenta a economia de energia do corpo, o que permite que eles façam movimentos mais complexos e eficientes sem gastar tanto o seu fôlego.

Outra razão que pode justificar a capacidade invejável que os quenianos têm de correr, é cultural. Sim, cultural! Os quenianos são um povo guerreiro. Eles treinam duro e bota duro nisso. Eles aprendem cedo a se manter ativos, a favorecer uma alimentação simples, saudável e rica em carboidratos e com pouquíssima gordura. Eles treinam em altitudes acima de 2.000 metros, em terrenos de terra batida, o que diminui o risco de lesão, mas exige o desprendimento de forças maiores a cada passada. Subidas? Descidas? Terrenos acidentados? Nada disso é motivo para deixar de treinar. A pobreza do seu país também não os impede em nada. Pelo contrário, eles enxergaram na corrida uma oportunidade de oferecer melhores condições de vida para as suas famílias. E agarraram essa chance com unhas e dentes, algo que só os grandes campeões são dignos de fazer.

Olha só um exemplo: a tetracampeã da Maratona de Boston, Catherine Ndereba, revelou certa vez que corria 120k por semana. Isso parece ser muito pouco perto dos 180k médios corridos por atletas de outros cantos do planeta. Parece. Ela divide o treino de forma a correr 3 vezes todo santo dia, sempre em ritmo de prova, o que aumenta muito a sua capacidade de se manter veloz por longos períodos de tempo.

Por essas e outras os quenianos não são apenas exemplos de corredores. Eles são, também, exemplos de vida.

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