AI, A2 ou A3. O que é isso? Entenda o que estas siglas tão presentes em treinamentos significam
A grande maioria das academias do país tem essa linguagem. Já na primeira aula do aluno novo, os professores citam: “hoje o treino é A2”. Mas a realidade é que muitos clientes e profissionais têm dúvidas: por que a nomenclatura A1, A2, A3?
Tudo começou no final do século passado e início desde, quando uma comissão de técnicos da Confederação Brasileira de Desportes Aquáticos – CBDA, a fim de unificar os sistemas, resolveu utilizar uma só variável para que todos pudessem falar a mesma linguagem quando estivessem em congressos ou encontros profissionais. Para isso, foram utilizadas as letras “A” para definir sistema aeróbio ou aeróbico e “AN” para sistema anaeróbio ou anaeróbico, que pode ser lático (produção grande de acidose através de repetições pequenas com intensidade alta e grandes intervalos) ou alático (produção reduzida de acidose normalmente encontrada nos tiros rápidos de 12,5 a 25 metros).
A aprovação de uma forma única de se falar em todo o país foi imediatamente aceita pela comunidade aquática e difundida entre todos os locais onde se pratica natação de performance. Muitas escolas e academias de natação a incluem nos programas, horários para condicionamento e treinamento aquático. Principalmente neste último, que tem atraído muitos alunos com objetivos variados:
A- Melhora da capacidade funcional (aeróbica, % da massa gorda, % da massa magra, aumentando dos capilares, etc.)
B- Melhora da tonicidade dos músculos que envolvem as vias respiratórias
C- Melhora da tonicidade dos músculos em geral
D- Motivação através do prazer pelos exercícios aquáticos
E- Participação em eventos internos ou externos ou condicionamento para outros esportes, tais como surf, triatlo, entre outros
F- Integração com outras atividades da escola ou academia
FONTES ENERGÉTICAS
Os músculos possuem fontes energéticas oriundas de duas vias: aeróbia ou anaeróbia. A energia aeróbia tem como fonte principal o oxigênio presente no ar que respiramos. A energia vem da cadeia alimentar que poderá ser alática – quando a predominância é obtida através do ATP-CP – , e lática – quando predomina o glicogênio muscular. Dependendo do volume e da intensidade, as fontes energéticas poderão ser prioritariamente aeróbia, anaeróbia ou mista, pois iniciam suas atividades ao mesmo tempo, variando em qualquer ambiente aquático.
| SISTEMA | METABOLISMO | FREQUÊNCIA CARDÍACA |
OBJETIVO | INTENSIDADE | % DO VOLUME DO TREINO |
| A0 | OXIDATIVO | ATÉ 120 BPM | AQUECIMENTO/ REGENERATIVO |
BAIXA | 5% A 20% |
Exemplo:
Volume do treino: 3.000 metros
Sistema: A0
% do volume do treino: 5% a 20% = 150 a 600 metros
Série a ser realizada: 150 nadando sem parar
600 metros (300 crawl + 100 medley + 100 costas + 100 peito)
Obs: Este percentual deve ser utilizado separadamente tanto para aquecimento como para regenerativas que poderão ser usados tanto no final do treino como entre as séries com alguma intensidade.
| SISTEMA | METABOLISMO | FREQUÊNCIA CARDÍACA |
OBJETIVO | INTENSIDADE | % DO VOLUME DO TREINO |
| A1 | OXIDATIVO | 121 A 140 BPM | MANUTENÇÃO | BAIXA | 50% |
Exemplo:
Volume do treino: 3.000 metros
Sistema: A1
% do volume do treino: 50% = 1.500 metros
Série a ser realizada: 15×100 c\15”
Obs: Os trabalhos aeróbios são menos intensos que os anaeróbios. Para aprendizado de forma pedagógica, orientamos que deve haver descansos abaixo de 60 segundos para cada repetição. Quanto mais intenso o sistema, mais descanso necessitará. Nesse caso, o A1 é o mesmo intenso e, por consequência, o intervalo será menor do que o A2 e o A3.
| SISTEMA | METABOLISMO | FREQUÊNCIA CARDÍACA |
OBJETIVO | INTENSIDADE | % DO VOLUME DO TREINO |
| A3 | MISTO/OXIDATIVO/ GLICOLÍTICO |
161 A 180 BPM | POTÊNCIA AERÓBIA | ALTA | 30% |
Exemplo:
Volume do treino: 3.000 metros
Sistema: A3
% do volume do treino: 30 % = 900 metros
Série a ser realizada: 12 x 100 c\45”
Obs: Os exemplos são apenas uma forma de entendimento, mas podem ser realizados com variações tanto nas metragens das repetições como da forma como são apresentados. Podemos tanto utilizar a forma plana como apresentado – com a metragem dividida igualmente nas repetições – como variar as distâncias, mantendo o sistema e os intervalos
Exemplos:
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A1 |
10X |
100 c\15” 50 c\15” total: 1500 metros |
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A2 |
4X |
200 c\30” 100 c\15” total:1200 metros |
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A3 |
3X |
100 c\45” 4×50 c\45” total: 900 metros |
A intensidade está somente relacionada ao batimento cardíaco ou também à idade?
Resposta: Sim, existem variações entre as idades. O mais indicado para os profissionais é subtrair 220 da idade e o valor encontrado colocar 60% a 70% para o A1, 70% a 80% para o A2 e 90% para o A3 em média. Vale ressaltar que a intensidade pode ser praticada também com acessórios sem perder o objetivo de cada sistema (prancha, palmar, flutuador, nadadeira etc.)
E aí? Vamos treinar?
Referência: KLAR, ALBERTO; LIMA, WILLIAN. Atividade Aquáticas, Pedagogia Universitária volume 04. 2ª edição revisada. Literativa. São Paulo, 2005
ALBERTO KLAR
PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA UNIFMU E TÉCNICO DE NATAÇÃO